O Lote que nunca existiu: um caso de FRAUDE
- Aleique Martins

- há 1 dia
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Recentemente, acompanhamos o episódio do lote 316625 de mostarda da marca Cepêra, alvo de uma medida de apreensão e proibição por parte da ANVISA. Conforme detalhado na Resolução-RE nº 1.415/2026, o motivo não foi uma falha no processo produtivo, mas algo muito mais grave: o produto era falsificado.
A própria fabricante, em uma postura proativa, identificou que aquele lote jamais existiu em seus sistemas de produção e que o rótulo apresentava divergências gráficas, inclusive no padrão de codificação utilizado pela marca. Este episódio é um exemplo real de como a rastreabilidade e a gestão de SAC são, na verdade, as maiores armas de defesa de uma marca contra a fraude alimentar.
Embora não haja detalhe como a irregularidade foi descoberta, muitas vezes, o ponto de partida para desvendar uma fraude desse tipo está no tratamento atento das reclamações recebidas. Um relato sobre um 'sabor estranho' ou uma 'embalagem diferente' é, na verdade, um dado de inteligência valioso para a qualidade. Quando o SAC acolhe essa informação e o sistema de rastreabilidade aponta de imediato que o lote não consta na produção oficial, a empresa ganha a agilidade necessária para acionar as autoridades. Essa rapidez é o que impede que o dano à saúde pública e à reputação da marca se torne irreversível.
A fraude alimentar é um risco silencioso. O falsificador busca o lucro rápido, ignorando completamente as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e colocando em risco a saúde pública. Nós, gestores e consultores sabemos que a segurança de alimentos não termina no portão da fábrica. É preciso monitorar o mercado e ter processos de defesa dos alimentos integrados à qualidade. Se a rastreabilidade não é capaz de provar, em minutos, que um produto não pertence à sua linha, sua marca está vulnerável.
Aos consumidores, fica o alerta: o SAC é o seu maior aliado. Ao observar qualquer alteração em lacres, texturas ou informações no rótulo, não descarte o produto. Entre em contato com a marca. Sua ação ajuda a identificar criminosos e protege milhares de outras pessoas.
A gestão de qualidade que defendo e que têm sido inclusive pauta das novas exigências do MAPA/ANVISA, necessita de visão integral. Ao unir o olhar técnico da rastreabilidade com a sensibilidade investigativa no tratamento de reclamações, conseguimos transformar dados em verdadeiros escudos. Afinal, em uma crise de segurança de alimentos, a verdade só aparece para quem tem o controle total da sua cadeia de produção.








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