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Resumo Técnico: Como montar equipe de Gestão de Qualidade na Indústria de Bebidas

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Se você tem acompanhado nossos artigos com foco em Qualidade e ainda não conseguiu estruturar uma equipe dedicada em sua fábrica, é provável que já tenha chegado a uma conclusão vital: você precisa de apoio técnico e rotinas de qualidade bem implementadas em seu processo. Para expandir seus negócios sem comprometer a excelência dos produtos, ter uma equipe de apoio técnico robusta é, sem dúvida, fundamental para a segurança e a longevidade do seu empreendimento.


Ao contrário do que muitos podem pensar, é perfeitamente possível formar uma equipe da qualidade eficiente, capaz de atender às demandas do setor sem inflar o quadro de mão de obra. Antes de formar o nosso time “poderoso”, vamos entender quais são os serviços essenciais que compõem o setor de Qualidade.


  • Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)

Responsável por desenvolver novos produtos considerando a qualidade e a segurança desde as fases iniciais de formulação. Essa equipe também atua na otimização de processos, identificando oportunidades de melhoria para aprimorar a qualidade, reduzir perdas e aumentar a eficiência.


  • Assuntos Regulatórios e Garantia da Qualidade

Conformidade legal, acompanhamento e interpretação da legislação vigente (MAPA, ANVISA, etc.) para garantir que todos os produtos e processos estejam em conformidade. Isso inclui aspectos de registro de produtos e estabelecimentos, rotulagem e padrões de identidade e qualidade. Além disso, essa equipe também é responsável por: auditorias internas e externas; gestão de não conformidades e ações corretivas; elaboração e revisão de documentos; gestão de fornecedores e obtenção e manutenção de certificações (ISO 9001, FSSC 22000, HACCP, BRC etc).


  • Controle/Monitoramento da Qualidade

Atua diretamente no chão de fábrica no controle e monitoramento diário, responsável por: análises físico-químicas; análises microbiológicas; análises sensoriais; testes de estabilidade e prazo de validade (shelf life); análise de contaminantes; calibração e manutenção de equipamentos de laboratório; recebimento de matéria-prima.


  • Segurança de alimentos

Atua como uma barreira protetora, supervisiona e valida programas de limpeza e sanitização, desenvolve e implementa procedimentos de prevenção à contaminação cruzada, monitora parâmetros críticos de controle (pH, acidez, concentração, tratamentos térmicos).


  • Treinamento e Desenvolvimento

Capacitação de equipes, treinamento contínuo dos colaboradores em BPF, higiene, segurança dos alimentos, controle de processos e outras práticas relevantes. Treinamento especializado de colaboradores para atuar como provadores em análises sensoriais, desenvolvendo suas habilidades de percepção e descrição.


  • Sistema de atendimento ao consumidor (SAC)

Recebimento e registro de reclamações/sugestões/elogios e esclarecimento de dúvidas. Triagem e classificação das reclamações; solicitação de amostras; investigação interna; resolução e retorno ao consumidor; criação de banco de dados e indicadores de satisfação do cliente/consumidor, alerta para reecal/recolhimento (em situações graves que envolvam riscos generalizados, o SAC pode ser um dos primeiros canais a identificar a necessidade de um recall de produto, acionando os planos de contingência).

 

É usual, em grandes empresas, que os serviços citados acima sejam executados por equipes específicas, cada uma com seu próprio gestor, formando um grande time da Qualidade. No entanto, a junção de atividades e a terceirização de serviços para a redução de mão de obra são práticas cada vez mais comuns. Essa abordagem depende de diversos fatores, como a complexidade dos processos, as exigências das legislações, a viabilidade de terceirização de certos serviços, e a maturidade e instrução geral da mão de obra.


Considerando os serviços mencionados acima e as possibilidades de otimização, simularemos agora a formação de uma equipe da qualidade enxuta em uma fábrica de bebidas que opera nas seguintes condições: operação em três turnos de trabalho; mão de obra da produção com baixa instrução; e laboratório de análises físico-químicas.

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Nesse exemplo as atividades ficariam distribuídas da seguinte forma:


  1. Coordenador da Qualidade: de modo geral é responsável por implementar e supervisionar todas as atividades da equipe da qualidade, no entanto, suas responsabilidades diretas são assuntos regulatórios e garantia da Qualidade, apoio em pesquisa e desenvolvimento (necessário envolvimento de profissionais de outras equipes); treinamento e desenvolvimento.

  2. Analista da Qualidade: validação de programas de limpeza, acompanhamento de dados de análise e geração de indicadores, agendamento de coleta de amostras para análise externa e validação dos certificados de análise, calibração de equipamentos analíticos de laboratório e/ou agendamento de calibrações com empresas terceirizadas quando necessário. Acompanhamento das reclamações dos consumidores (geração de indicadores, investigação, plano ação e elaboração de resposta técnica ao consumidor), nesse caso, o atendente faria o repasse das queixas para o analista da qualidade. Nesse exemplo, o atendente seria uma mão obra terceirizada, ou membro da equipe comercial, essa também é uma excelente alternativa de otimização.

  3. Inspetores da Qualidade (um por turno): controle/monitoramento da qualidade e segurança de alimentos nas linhas de produção, recebimento de matéria prima e análises físico-químicas.


Agora, vamos considerar um ajuste técnico na equipe formada anteriormente, pensando em um cenário onde a mão de obra da produção é mais instruída, ou seja, operadores com capacidade intelectual para assumir parte do controle de qualidade.

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Nesse contexto, é possível reduzir em até dois o número de colaboradores diretos na equipe da Qualidade, otimizando ainda mais o quadro:

Um único inspetor, por exemplo, poderia ser o responsável por recebimento de matéria-prima e monitoramento das análises físico-químicas, com as amostras sendo recolhidas e pré-analisadas pelos próprios operadores durante a produção dos lotes. É crucial ressaltar que esses operadores seriam constantemente treinados e monitorados pela equipe de Qualidade, garantindo que o padrão seja mantido por todos.


Os organogramas apresentados são apenas exemplos das possibilidades de otimização. No entanto, o verdadeiro segredo para formar uma equipe da qualidade eficiente sem inflar o organograma reside no seu profundo conhecimento das atividades e das particularidades da sua empresa. Com a estratégia certa, é possível formar uma equipe de excelência e enxuta!

 

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